25 de dezembro de 2010

Eat, Pray, Love

Esta película que advém do romance de Elizabeth Gilbert mostra-nos a autodescoberta da escritora ao mesmo tempo que se torna um passeio turístico por três locais distintos.



Liz- Julia Roberts- é uma escritora de renome que não se consegue encaixar no seu próprio casamento. Logo após o divórcio entra em outra relação, na qual também não se encontra. Decide então partir numa viagem de autodescoberta com a primeira paragem em Itália, seguindo-se Índia e Bali, onde já havia estado e conhecido um sábio local que lhe leu o futuro e lhe pedira para voltar um ano mais tarde, a fim de partilharem conhecimentos.


Eat; Em Itália, Liz aprende a degustar a vida, literalmente. Nesta fase do filme é quando as imagens mais deliciosas nos invadem o ecrã, não só pela apresentação de saborosas refeições típicas, mas também por nos guiarem por uma Roma mística e corruída pelo tempo. Aqui sente-se um ambiente familiar e aconchegante, como não é mais visível nos outros destinos mais exóticos.



Pray; A viagem prossegue para a Índia, onde a escritora pretende alcançar a plenitude espiritual através da meditação. Aqui conhece mais indivíduos que a ajudam a encontrar-se e vice-versa, de um modo quase clichê que envolve lágrimas e frases de como melhorar a sua vida.




Love; É em Bali que Liz aprende a amar, alcançando a plenitude que tanto desejava de forma inesperada. Mais personagens envolvem-se na trama, contribuindo e desfrutando da renovação interior de Elizabeth.



Eat, Pray, Love acaba por ter bases pouco sólidas, dilemas pessoais já vistos e revistos que por pouco não se confundem com caprichos de uma mulher quase na meia idade. Quem não se revê na personagem ganha só um passeio por locais distintos e visualmente aprazíveis. Ganha também mais um desempenho charmoso de Javier Barden, que é um guia turístico das paisagens de Bali e do coração da protagonista.

12 de setembro de 2010

Savage Grace

Baseado no livro homónimo de Natalie Robins, a película dirigida por Tom Kalin, datada de 2007 conta- nos a história verídica da família Baekeland, focando a relação peculiar de mãe e filho.


Julianne Moore faz de Barbara Daly Baekeland, uma socialite, ex- manequim e aspirante a actriz, casada com o empresário Brooks Baekeland que é aqui interpretado por Stephen Dillane.
A trama inicia- se nos Estados Unidos da América, sendo- nos mostrada a vida do casal e do bebé Tony. Barbara adora conviver com membros da elite ao contrário de Brooks que frequenta os meios sociais com intuito de satisfazer os caprichos da mulher.


Voamos temporalmente e vemo- nos em outro cenário, Paris na década de 1960. Tony é um jovem rapazinho que se aproxima muito mais da mãe que do pai, revelando desde cedo um carácter sensitivo. O rapaz cresce e torna- se num adulto bem parecido, Eddie Redmayne, que desperta a atenção de homens e mulheres durante as férias familiares em paisagens mediterrâneas.


É nesta fase do filme que se inicia a ruptura do casal e Tony assume inteiramente a sua homossexualidade. Consequentemente a relação com a mãe adensa- se pois ele vive para apoiá- la numa fase de decadência psicológica, social e monetária que a leva a uma tentativa de suicídio.
Mãe e filho acabam por partilhar sofrimentos, paixões e angústias.


Um dos elementos chaves deste filme é a adaptação de caracterização, guarda- roupa e cenários a diferentes locais do globo. Ou seja, nos E.U.A. vemos uma casa luxuosa, requintada e sóbria, que acaba por ser uma alegoria ao modo de vida dos Baekeland. Enquanto que em França Tony exibe- se na primeira cena com um clássico look parisiense e a habitação da família é mais iluminada e não tão conservadora.


Mas é na moradia decadente de Barbara e Tony que residem mais detalhes visuais, como os quadros de naturezas mortas, a tinta das paredes a descascar, os jardins mal cuidados e sobretudo o anexo em que o jovem vive com o namorado, que mais se assemelha a uma gruta e reflecte inteiramente a personalidade do casal que tenta que Barbara não interfira na aura do espaço.



Mais tarde, já em Londres, Tony aparenta um amadurecimento, como se se tivesse tornado o homem da casa e não o adolescente revoltado em busca do regresso do pai. Torna- se clara a relação incestuosa entre ele e Barbara, que padece de uma carência disfarçada de preocupação pelas escolhas sexuais do filho. É aqui, na recta final que tudo se adensa e algo terrível acontece.

Eddie Redmayne é carismático na sua languidez, traz luz à película com uma ecelente interpretação.
A veterana Moore surge aqui num papel emblemático na sua carreira, a meu ver. Chamou- me particularmente a atenção neste registo dramático, que não sendo uma estreia para Julianne, foi a primeira vez que a presença da actriz num filme me agradou na totalidade.

2 de setembro de 2010

Candy

Sim, mais uma história de amor.
Desta vez a três.

O filme australiano de 2006, adaptação do romance de Luke Davies, por Neil Armfield, tem como protagonistas Heath Ledger como Dan e Abbie Cornish como Candy.


Tal como o subtítulo do romance de Davies, esta é uma história de amor e adição, Candy, Dan e a droga. Candy apega- se ao estilo de vida do namorado, querendo experimentar tudo o que ele experimenta. Na verdade apegam- se um ao outro sofregamente, vivem sofregamente, o mundo pertence- lhes, pelo menos, o seu próprio mundo.

A trama é dividida em três fases: Paraíso, Terra e Inferno. O Êxtase, a Realidade e a Destruição.
Assistimos de início a um conto de fadas moderno, em que as personagens vivem de um modo boémio e transparente que acabamos por invejar.Candy afasta- se da família, que já não tem qualquer prioridade para si a não ser o dinheiro que lhe vai emprestando. O único símbolo familiar que reconhecem é Casper, interpretado por Geoffrey Rush, um professor viciado que fabrica estupefacientes.


O casal precisa de dinheiro e ela começa a prostituir- se. É aqui revelado o egoísmo e a inércia de Dan que nada faz para alimentar o vício em comum. Vendo a mulher que ama subjugada, encontra uma forma de arranjar mais dinheiro.

A intensidade das cenas é uma constante, sobretudo a gravidez da jovem e a consequente tentativa de reabilitação do casal. Vemos os dois em agonia, numa série de planos que rasgam por dentro. O bebé nasce precocemente, morto, para desespero de Dan e Candy.

O declínio do casal é prevísivel, mesmo após a tentativa de recuperar uma vida sã no campo. Desta vez é Candy que apresenta um alto nível de egoísmo, enquanto Dan mantém um trabalho e se mostra paciente para as crises de raiva e desdém da esposa.
Destaco também as cenas finais em que Candy escreve uma carta peculiar ao amado, o texto é tocante e floriado, mesmo que de uma forma negra.


Abbie Cornish foi uma boa estreia para mim neste filme. Ao lado do malogrado Ledger faz um papel belíssimo, cheio de frescura e decadência mas sempre dona de uma beleza frágil de menina.


Heath é uma mais valia no filme. Não apenas por já ser uma cara conhecida do público mainstreem , mas devido à sua actuação sempre primorosa, como sempre nos habituou.


A fase "Heaven" é com certeza inspiradora visualmente, contendo a meu ver das melhores imagens filmadas, como é o caso dos namorados numa centrifugadora vertical, a nadarem ou de Candy na banheira em overdose.


Conseguiram com toda a certeza passar- nos das melhores e das piores sensações nesta película. E sobretudo revermo- nos em algumas cenas.

2 de julho de 2010

(500) Days of Summer

Dirigido por Marc Webb e escrito por Mark Waters, este deve ser o filme delicodoce mais falado nos últimos tempos. Compreende- se depois de visto, pois antes parecia mais uma comédia romântica, baseada na mesma história de "boy meets girl".


Não é só o rapaz que conhece a rapariga, trata- se de uma mostra do novo tipo de relacionamento que se encara nos dias que correm, tudo isto através de Tom- Joseph Gordon Levitt- e de Summer- Zooey Deschanel. Esta nova ideologia de relação casual é defendida por Zooey, fugindo ao lugar comum de que este é sempre um papel masculino.
Tom sabe que Summer é a mulher da sua vida, enquanto ela tem as suas dúvidas... Acabando a relação. Todo este enredo é- nos mostrado através de flash-backs, muito bem conseguidos na minha opinião, através de separadores. (Nem sempre é fácil para o espectador ligar os acontecimentos no caso desta contrucção da narrativa, não sendo este o caso.) Viajamos portanto nas memórias do jovem, que luta por compreender o porquê do abandono.


Os diálogos não são corriqueiros, mas também não nos maçam, revelam sim uma grande espontaneidade, como se estivéssemos a rever- nos nas palavras e nos sentimentos. Mas este elemento de proximidade com o publico é clara e evidente, pois mesmo nas cenas mais íntimas, sentimo- nos parte da vida dos protagonistas, nem que seja como voyers da sua história.

A trama passa- se na cidade de Nova Iorque que nos é revelada com um encanto diferente, isto devido à escolha das zonas filmadas, que não são as tipicamente cosmopolitas e nova-iorquinas que aparecem maioritariamente. As paisagens, os interiores e os edifícios ganham aqui uma espécie de "alma" quase europeia e até mesmo um pouco revivalista.


Tal não sucede unicamente nos décores, mas também em termos de caracterização, sendo evidente a estética dos anos 50 e 60 no look de Summer- que chega a ser mesmo comentado num dos diálogos. Também Tom se veste como um dandi moderno e despreocupado. Assim revelam- se um casal bastante compatível visualmente, o que acaba por ser dicotómico em relação à sua relação psicológica.



As pequenas participações de Matthew Gray Gubler, o Reid da série Mentes Criminosas e de Geoffrey Arend como os amigos Paul e McKenzie, respectivamente, servem para conhecermos um novo tipo de companheirismo neste tipo de filmes.

Destaco Cloeh Moretz, que interpreta o papel de irmã mais nova de Tom e também de sua sábia conselheira. Está aqui uma jovem actriz que devemos seguir as pisadas!


Atenção também à banda sonora, embora seja levezinha, é muito agradável e revela- nos alguns temas interessantes.

1 de julho de 2010

Perfume: The Story of a Murderer

Este filme de Tom Tykwer, baseado no romance homónimo, é dono de uma crueza que ao mesmo tempo nos gela e instiga a saber e ver mais.


As cenas iniciais, em que são mostrados os primeiros anos, desde o nascimento, de Jean- Baptiste Grenouille, mostraram- se mais chocantes do que a continuação da sua vida. O que poderia ser curioso, visto o filme centrar- se na "História de um Assassino". A questão é mesmo essa, os primeiros instantes de vida de Grenouille servem de pura geratriz para os seus comportamentos posteriores, logo são importantíssimos e elementos chave para a compreensão do personagem principal, que nos transmite uma compaixão maior que a repulsa que poderíamos conjecturar antes de assistirmos ao filme.
Grenouille é majestosamente interpretado por Ben Whishaw, um actor que eu nunca antes tinha visto e do qual me tornei fã. A sua beleza nada comum nem óbvia aliam- se a toda a linguagem corporal patente ao longo da película. É certo que esse era o papel que teria de desempenhar, um homem que sente tudo através de um único sentido- o olfacto, expressando- se através do olhar, da postura, mas não consigo pensar em nenhum actor para hipoteticamente ter assumido esta personalidade melhor que Ben.



A participação de veteranos- Dustin Hoffman e Alan Rickman- veio abrilhantar um filme que não necessitava desse brilho, visto ter alicerces num óptimo guião, que nos surpreende não só no final, mas ao longo dos minutos. Mérito do guionista? Ou do autor da obra literária, Patrick Suskind? Terei de ler o livro para saber o que foi adaptado, e certamente fá- lo- ei. Mas em parte muito do mérito das cenas finais deve- se aos figurantes, e mais não revelo.



Não vi nenhuma das actrizes a destacar- se, com excepção de Birgit Minichmayr que desempenhou o papel de mãe de Jean- Baptiste. Embora a sua participação fosse muitíssimo curta, não posso deixar de indicá- la.


Às actrizes que desempenham papéis de virgens ruivas donas de belezas únicas faltou- lhes uma altivez, que bem sei não fazer parte das personalidades retratadas, mas que conseguia ser um elemento trabalhado para que não parecessem tão esmorecidas. Talvez diga isto pois nos parâmetros sociais as ruivas costumam ser vistas de um modo muito mais lânguido do que em Perfume...



Gostei da caracterização e do guarda- roupa, que não sendo exageradamente remetentes ao século XVIII e à sua riqueza estética, exemplificaram na perfeição a vida das classes baixas em contraste com os nobres. Será estranho ter adorado o casaco completamente desfeito e sujo que o aprendiz de perfumista Grenouille usou sempre? Acho que uma imagem de um indivíduo deste nível social era necessária em filmes de época, que geralmente focam mais as classes abastadas.

As paisagens de Grasse encheram- me o peito daquele ar puro e do odor das flores e da terra molhada. Na verdade, todo o filme é concebido para que o espectador percorra a sua memória olfactiva em busca dos cheiros que as imagens traduzem. São os detalhes muito bem capturados que nos comunicam os odores que Grenouille sente. Não só no caso de Grasse, mas também, por exemplo, da pestilenta Paris, mais especificamente o mercado e os cortumes.

2 de junho de 2010

Slumdog Millionaire

Ontem em vez de estudar para Marketing pus- me a ver o fim de um filme que me soube a pouco, daí ter perdido mais umas horas com outro.
A verdade foi que Slumdog Millionaire fez valer a pena as poucas horas de sono (e de falta de estudo). Nunca me tinha interessado muito por este filme, talvez porque sempre que uma película é demasiado publicitada e comentada eu perca a curiosidade.




Este filme de Danny Boyle revela- nos uma Índia diferente daquela que aparece geralmente nas telas- a pobreza e a realidade daquele povo sufocaram- me. O guião está qualquer coisa de fantástico, mérito para Simon Beaufoy que conseguiu criar ligações entre as personagens realmente belas e dolorosas. Sem contar que toda a construcção do filme, com viagens ao passado de Jamal é primorosa.
Esta história é uma de amor, mas tão bem camuflada que é difícil reparar. Afinal, a participação de Jamal no programa tem um intento romântico que acaba por fugir aos clichés. (Aleluia!)


O melhor desempenho é o das crianças indianas! Admira- me que aqueles meninos e aquelas meninas, sem qualquer formação e vindas de meios muito pobres consigam interpretar de modo magistral.



Dev Patel como Jamal também se revela, embora este não fosse o seu primeiro trabalho em cinema. Freida Pinto é que permanece apagada, talvez por interpretar uma fase de Latika em que ela não tem grande vivacidade. Fico sem entender o porquê de tantas propostas de trabalho que a jovem teve após a estreia de Slumdog Millionaire...




No genérico final rspiramos a felicidade dos personagens, que finalmente se reencontram sabendo que o futuro é seu. No fim de horas de tensão, foi tão agradável assistir à coreografia super animada que também foge aos padrões. De facto, é completamente o oposto do resto do filme. Estranhamente Dev Patel mostra- se um óptimo dançarino, ao contrário de Freida...



A banda- sonora realmente é incrível, sendo M.I.A a voz mais notável.
Ironicamente neste momento está a dar na rádio uma das músicas mais conhecidas :)

30 de abril de 2010

Filth and Wisdom

Este filme foi o primeiro dirigido por Madonna, o que para os mais cépticos pode não ser um bom motivo para o ver. Na realidade eu estava céptica, mas ao longo da película deixei-me levar pela humanidade das personagens.

O emigrante ucraniano A. K. vai-nos contando o seu dia-a- dia e das suas duas amigas com quem divide casa em Lonbdres. De uma forma bastante filosófica, A. K., interpretado pelo vocalista dos Gogol Bordello, Eugene Hutz, explica o caminho que todos temos que percorrer para alcançar a sabedoria.

Nesse caminho tem-se de sujar as mãos, lutar e passar por situações insípidas. Como ele próprio o faz ao travestir- se, realizando as fantasias mais fetichistas de homens, dando-lhe assim a possibilidade de subsistir, já que a sua banda Punk não tem meio de chegar ao estrelato.

Juliette- Vicky McClure- trabalha numa farmácia onde rouba medicamentos, para levar para África, onde pretende fazer voluntariado.


Já Holly- Holly Weston- sonha com a sua carreira de bailarina profissional, mas a sua condição financeira precária faz com que exiba os seus dotes de dança não só na academia, mas também num clube de strip.

A dinâmica do filme não é muita, mas a ideia de explorar os campos da sexualidade como caminhos para carreiras sólidas e dignas é verdadeiramente interessante.
Uma das mais valias da obra de Madonna é a participação da banda de Hutz que entra com alguns temas. Eu como fã dos Gogol Bordello que sou, senti-me deliciada a ouvir a banda sonora e a ver e ouvir Eugene Hutz, que foi o elemento chave de Filth and Wisdom.

De Madonna podia- se esperar mais do que foi exibido, mas penso que este filme foi uma mostra da não existência de pretensões por parte da cantora, mantendo-se com um argumento simples.

2 de abril de 2010

Across the Universe

Encontro-me no mood hippie e relembrei-me do único musical que realmente gostei, Across the Universe.
Este filme de Julie Taymor, produzido em 2007, conta-nos uma história de amor (que cliché) ao som dos temas mais emblemáticos de The Beatles. O que poderia ser um guião básico, acerca dos desencontros e encontros de um jovem casal, é salvo pelas circunstâncias que movem a película.


A abertura com a canção "Girl" introduz-nos numa viagem por um universo mágico e romântico, e ao longo do tempo só queremos ouvir a próxima música que se molda às imagens do ecrã em perfeita sintonia.

Podemos verificar as diferenças dos backgrounds das personagens principais- Evan Rachel Wood como Lucy e Jim Sturgess como Jude- e posteriormente concluir que essas diferenças também se vêem a nível de personalidades. Em pleno êxtase do Movimento Hippie anti-guerra, a jovem vinda de um universo conservador ruma à cidade e torna-se uma activista, enquanto que Jude prefere não se envolver em determinadas tipologias de manifestações. Ela quer dar um propósito humanista à sua vida, ele prefere viver da sua arte e do amor de Lucy.


É-nos mostrada a vivência dos dois nas suas cidades natal antes de se conhecerem, o encontro de Jude com Max, irmão de Lucy, a vida em comunidade num apartamento, a vida a dois já demasiado conturbada pelas diferenças ideológicas do casal.

As referências ao legado musical de Beatles é evidente, tanto a nível dos nomes de personagens, como de ambiências. A existência de personagens que claramente representam a fervorosa Janis Joplin e Jimi Hendrix enriquece o filme.



São estas as mais-valias da produção, que prima por um guarda-roupa fantástico, ambientes psicadélicos muito bem reproduzidos e cenas surrealistas interessantes. A nível musical posso dizer que os temas da banda de Liverpool foram muitíssimo bem interpretados e as alterações não soaram de todo estranho ao ouvido. A escolha para o final glorioso- em que o amor de Jude e Lucy finalmente culmina é de todo a parte que mais me agradou. "All you need is love" era a canção óbvia para o the end esperado.


Alice in Wonderland

Começo por falar deste filme, visto ter sido dos últimos a que assisti e ser inevitável falar sobre esta produção.

As críticas com que me tenho deparado são maioritariamente positivas, o que despoletou ainda mais o meu interesse em referi-lo aqui.


Na minha opinião, admitindo que não sou fã de Tim Burton, o filme ficou muito aquém das minhas expectativas, esperava algo muito mais dinâmico e glorioso vindo deste cineasta. A verdade é que Tim iniciou esta produção por considerar todas as versões cinematográficas do conto de Lewis Carroll pobres. Desta maneira optou por nos mostrar
não a primeira visita de Alice à Terra no Nunca, mas a segunda, já ela uma mulher feita e não uma criança ingénua.

Pois bem, das entrevistas que vi e que li dadas por Burton, a sua ideia de dar mais poder a Alice na acção não teve o impacto esperado. E não foi só aí que a produção deixou a desejar aos espectadores mais ansiosos, mas também a nível de gráficos, que embora não estivessem maus, poderiam fazer com que o 3D valesse mais a pena (de ser pago). Também a música e a intérprete dos créditos não foram a melhor opção e deixam-me com a sensação de que em nada tinham que ver com toda a logística do filme.

Em compensação a caracterização das personagens e toda a ambiência fantástica do filme não tiram o mérito a Burton, que sabe dar alma a cada elemento que vemos na tela. A imagem dos actores foi muito bem tratada, em destaque o Mad Hatter de Johnny Depp e a Queen of Hearts de Helena Bonham Carter.



A escolha de uma desconhecida para o papel principal foi uma óptima surpresa, tendo Mia Wasikowska encantado na sua estreia.