30 de abril de 2010

Filth and Wisdom

Este filme foi o primeiro dirigido por Madonna, o que para os mais cépticos pode não ser um bom motivo para o ver. Na realidade eu estava céptica, mas ao longo da película deixei-me levar pela humanidade das personagens.

O emigrante ucraniano A. K. vai-nos contando o seu dia-a- dia e das suas duas amigas com quem divide casa em Lonbdres. De uma forma bastante filosófica, A. K., interpretado pelo vocalista dos Gogol Bordello, Eugene Hutz, explica o caminho que todos temos que percorrer para alcançar a sabedoria.

Nesse caminho tem-se de sujar as mãos, lutar e passar por situações insípidas. Como ele próprio o faz ao travestir- se, realizando as fantasias mais fetichistas de homens, dando-lhe assim a possibilidade de subsistir, já que a sua banda Punk não tem meio de chegar ao estrelato.

Juliette- Vicky McClure- trabalha numa farmácia onde rouba medicamentos, para levar para África, onde pretende fazer voluntariado.


Já Holly- Holly Weston- sonha com a sua carreira de bailarina profissional, mas a sua condição financeira precária faz com que exiba os seus dotes de dança não só na academia, mas também num clube de strip.

A dinâmica do filme não é muita, mas a ideia de explorar os campos da sexualidade como caminhos para carreiras sólidas e dignas é verdadeiramente interessante.
Uma das mais valias da obra de Madonna é a participação da banda de Hutz que entra com alguns temas. Eu como fã dos Gogol Bordello que sou, senti-me deliciada a ouvir a banda sonora e a ver e ouvir Eugene Hutz, que foi o elemento chave de Filth and Wisdom.

De Madonna podia- se esperar mais do que foi exibido, mas penso que este filme foi uma mostra da não existência de pretensões por parte da cantora, mantendo-se com um argumento simples.

2 de abril de 2010

Across the Universe

Encontro-me no mood hippie e relembrei-me do único musical que realmente gostei, Across the Universe.
Este filme de Julie Taymor, produzido em 2007, conta-nos uma história de amor (que cliché) ao som dos temas mais emblemáticos de The Beatles. O que poderia ser um guião básico, acerca dos desencontros e encontros de um jovem casal, é salvo pelas circunstâncias que movem a película.


A abertura com a canção "Girl" introduz-nos numa viagem por um universo mágico e romântico, e ao longo do tempo só queremos ouvir a próxima música que se molda às imagens do ecrã em perfeita sintonia.

Podemos verificar as diferenças dos backgrounds das personagens principais- Evan Rachel Wood como Lucy e Jim Sturgess como Jude- e posteriormente concluir que essas diferenças também se vêem a nível de personalidades. Em pleno êxtase do Movimento Hippie anti-guerra, a jovem vinda de um universo conservador ruma à cidade e torna-se uma activista, enquanto que Jude prefere não se envolver em determinadas tipologias de manifestações. Ela quer dar um propósito humanista à sua vida, ele prefere viver da sua arte e do amor de Lucy.


É-nos mostrada a vivência dos dois nas suas cidades natal antes de se conhecerem, o encontro de Jude com Max, irmão de Lucy, a vida em comunidade num apartamento, a vida a dois já demasiado conturbada pelas diferenças ideológicas do casal.

As referências ao legado musical de Beatles é evidente, tanto a nível dos nomes de personagens, como de ambiências. A existência de personagens que claramente representam a fervorosa Janis Joplin e Jimi Hendrix enriquece o filme.



São estas as mais-valias da produção, que prima por um guarda-roupa fantástico, ambientes psicadélicos muito bem reproduzidos e cenas surrealistas interessantes. A nível musical posso dizer que os temas da banda de Liverpool foram muitíssimo bem interpretados e as alterações não soaram de todo estranho ao ouvido. A escolha para o final glorioso- em que o amor de Jude e Lucy finalmente culmina é de todo a parte que mais me agradou. "All you need is love" era a canção óbvia para o the end esperado.


Alice in Wonderland

Começo por falar deste filme, visto ter sido dos últimos a que assisti e ser inevitável falar sobre esta produção.

As críticas com que me tenho deparado são maioritariamente positivas, o que despoletou ainda mais o meu interesse em referi-lo aqui.


Na minha opinião, admitindo que não sou fã de Tim Burton, o filme ficou muito aquém das minhas expectativas, esperava algo muito mais dinâmico e glorioso vindo deste cineasta. A verdade é que Tim iniciou esta produção por considerar todas as versões cinematográficas do conto de Lewis Carroll pobres. Desta maneira optou por nos mostrar
não a primeira visita de Alice à Terra no Nunca, mas a segunda, já ela uma mulher feita e não uma criança ingénua.

Pois bem, das entrevistas que vi e que li dadas por Burton, a sua ideia de dar mais poder a Alice na acção não teve o impacto esperado. E não foi só aí que a produção deixou a desejar aos espectadores mais ansiosos, mas também a nível de gráficos, que embora não estivessem maus, poderiam fazer com que o 3D valesse mais a pena (de ser pago). Também a música e a intérprete dos créditos não foram a melhor opção e deixam-me com a sensação de que em nada tinham que ver com toda a logística do filme.

Em compensação a caracterização das personagens e toda a ambiência fantástica do filme não tiram o mérito a Burton, que sabe dar alma a cada elemento que vemos na tela. A imagem dos actores foi muito bem tratada, em destaque o Mad Hatter de Johnny Depp e a Queen of Hearts de Helena Bonham Carter.



A escolha de uma desconhecida para o papel principal foi uma óptima surpresa, tendo Mia Wasikowska encantado na sua estreia.