24 de abril de 2011

Marie Antoinette- Décor

A obra de Sofia Coppola, de 2006, abrilhantada por Kirsten Dunst é incontestavelmente uma das mais ricas a nível visual. Com o Palácio de Versalhes como set de gravação, era difícil que assim não o fosse, embora os pormenores mais actuais tenham feito a diferença. Neste filme nada, rigorosamente nada, foi deixado ao acaso, assim, o requinte faustoso e a luxúria daquela época é muito bem retratado pela mão de Coppola

Lance Acord- Director de Fotografia
Pierre Duboisberranger e Anne Seibel- Direcção Artística
Véronique Melery- Decoração

Colin Firth

O actor britânico de 50 anos tornou-se conhecido do grande público com o seu papel de Mr. Darcy na adaptação para TV do romance de Jane Austen, Orgulho e Preconceito. Na última edição dos Óscares venceu na categoria de melhor actor pelo seu desempenho em The King's Speech, sendo que na edição anterior havia sido nomeado pela prestação em A Single Man.

Sessão Fotográfica para a Vanity Fair

Na sua carreira de duas décadas, Firth já fez papéis em teatro, televisão e cinema, dramas, comédias e até mesmo musicais, como Mamma Mia, o que faz dele um dos mais invejados actores do panorama actual.


Pride and Prejudice 1995


The English Patient 1996


Shakespeare in Love 1998


Bridget Jones's Diary 2002


The Importance of Being Ernest 2002


Love Actually 2003
(Contracenou com Lúcia Moniz e falou em português)


Girl with a Pearl Earring 2003


Nanny McPhee 2005


The Last Legion 2007


Mamma Mia 2008


Accidental Husband 2008


Dorian Gray 2009


A Single Man 2009


The King's Speech 2010

Nova Geração

Chloe Moretz, Hailee Steinfeld, Elle Fanning são o talentoso trio de actrizes da sua geração. Iniciaram-se nas lides do cinema muito novas e em papéis de pouco relevo mas agora estão a destacar-se na Sétima Arte.

Chloe nasceu em 1997, estreando-se no cinema com oito anos. Do seu currículo fazem parte filmes bem conhecidos do grande público, como Big Momma's House 2, 500 Days of Summer ou Kick-Ass. No seu mais recente trabalho, em Let me in, interpreta uma jovem vampira que vive um amor proibido, alcançando um papel principal.


Hailee com apenas 14 anos foi nomeada ao Óscar de melhor actriz secundária, pelo seu papel em True Grit. A jovem actriz que apenas tinha participado nos chamados Teen Movies, com papéis secundários, revela assim o seu talento, já muito aclamado na indústria cinematográfica.


Elle carregou durante alguns anos a cruz de ser a irmã mais nova de Dakota Fanning, fazendo as personagens da sua irmã em mais novas. Hoje já conta com alguns papéis a solo, entre eles o de Cleo em Somewhere, que a trouxe para as luzes da ribalta.


Prova deste mediatismo são as sessões fotográficas para a Vogue, onde as três pousam com a modelo internacional Natalia Vodianova, e para a Vanity Fair onde apenas Fanning e Steinfeld foram fotografadas. Ambos os artigos se centram no cinema de Hollywood, participando dessas sessões actores mais maduros e consagrados.



Sessão para a Vogue no Chateau Marmont



Sessão para a Vanity Fair

Somewhere

O quarto filme de Sofia Coppola ficou aquém das minhas expectativas, podia ter mais ritmo e esperava algo mais magistral em termos de fotografia. Não vemos aqui um grande filme como Lost in Translation, nem cenas visualmente fortes como em Marie Antoinette. Coppola cria uma ilustração do que é a solitária vida de um actor de Hollywood, Johnny Marco, interpretado por Stephen Dorff.


A trama desenrola-se em grande parte no hotel Chateau Marmont, residência de Johnny, onde recebe inúmeras mulheres e dá festas. Mas o que se poderia pensar de uma vida de estrela de cinema nestas condições cai por terra, o actor tem um dia-a-dia aborrecido, nada tem que o preencha, chegando ao cúmulo de contratar bailarinas gémeas que fazem coreografias temáticas até ele adormecer.


Esta rotina só se quebra com as esporádicas visitas da sua filha Cleo- Elle Fanning, até que uma destas visitas acaba por se tornar numa estadia por tempo indeterminado. Cleo tem onze anos e uma enorme maturidade, contrastando com a personalidade do pai. Demora um pouco para percebermos se Johnny realmente está a gostar da companhia da filha ou se preferiria a sua antiga vida de boémio, talvez por ele mesmo ainda estar a perceber o que prefere. Mas logo se torna óbvia a estreita relação que constroem e a posterior tristeza quando a filha vai embora.


Johnny tem de conviver novamente com a solidão escondida, até que toma uma decisão que o levará para outro lugar, onde talvez possa ser feliz.


A história, de facto poderia estar melhor contada, os actores são bons, mas as personagens não são suficientemente ricas. A banda sonora é actual e de óptima qualidade, mas escasseiam os diálogos que nem contrastam com imagens sugestivas.


Elle Fanning revela-se neste filme, sendo alvo de inúmeros elogios de Coppola, que a retrata como instintiva e cheia de vida. Elle iniciou a sua carreira ao lado de Dakota, sua irmã mais velha, fazendo de sua dupla, mas já tem alguns filmes "a solo" no seu curriculo, como O Estranho Caso de Benjamin Button. Ao lado de outras actrizes da sua idade está a criar uma nova geração de boas intérpretes e já se tornou num dos rostos da Rodarte, a marca sensação do mundo da moda americano e internacional, de momento. Ver a curta-metragem aqui.

21 de abril de 2011

Io Sono L'amore

I Am Love é uma película dirigida pelo italiano Luca Guadagnino, do ano de 2009 cuja história se desenrola em torno da família Recchi, pertencente à classe alta de Milão, com especial enfoque na em Emma- Tilda Swinton. O filme é um projecto do realizador e da actriz que levou onze anos até vera luz do dia.


É no jantar de aniversário de Edoardo- Gabriele Ferzatti, o membro mais velho da família e director da fábrica da família, que este dá a conhecer aos restantes membros uma decisão que havia tomado quando decidiu retirar-se dos negócios familiares.

Esta cena leva-nos a conhecer Edo- Flavio Parenti- e através dele o que seria suposto aquela família ser, um exemplo de dignidade, tradições e valores. Consequentemente vemos tudo o que a família não é.


I Am Love tem sido falado em importantes e influentes sites de tendências, não só artísticas mas também sociais, o que me leva a crer que muito do que se passa ao longo de quase duas horas é o retrato exacto da nossa sociedade. Desde às opções sexuais, ao encontro com a Natureza, à procura de uma paz e prazeres que nos tragam felicidade, tudo é retratado de modo exímio.

Swinton contracenando com Alba Rohrwacher, que interpreta o papel de sua filha Betta


Emma e Edo


E este retrato é sobretudo visual, conseguido através de planos fechados, que nos mostram pormenores que tantas vezes são esquecidos, mas que tornam tudo mais belo. A técnica de focagem, ou da inexistência desta, torna tudo mais real, mais perto do que os nossos olhos estão acostumados a ver. A fotografia ficou a cargo de Yorick Le Saux. Tanto a mestria da manipulação de imagens como a história são uma ode à gastronomia italiana e russa, que são pano de fundo para que se desenrolem as cenas.



Destaco a cena em que Emma está degustando um prato de camarões no restaurante de Antonio- Edoardo Gabbriellini- e a perseguição que ela lhe faz em Nice. Ambas as cenas mostram-nos muito do que Emma é, uma russa que teve de se tornar italiana e deixar as suas raízes para trás, que mudou de nome e esqueceu o dela, que construiu uma família e um lar que muitos invejariam, que defende e compreende os filhos colocando a felicidade deles como prioridade. Mas Emma também é uma mulher carente e algo submissa àquela família, que necessita de se sentir valorizada por aquilo que é e não pelo que tem de aparentar.


Após ver o filme fui ver o trailler e senti-me aliviada por tê-lo feito nesta ordem. Se ao longo do filme consegui prever o que adensa a trama, no triller tal é demasiado exposto.

Todas as histórias têm uma moral, esta diz-nos que o dinheiro traz felicidade, mas não a traz por inteiro e tornou-se num dos meus filmes de eleição, para ver e rever. As nomeações ao Óscar de melhor filme estrangeiro e melhor guarda-roupa, a cargo de Antonella Cannarozzi. Esqueceram-se da nomeação de melhor actriz pelo desempenho de Tilda, que para além de falar italiano e russo tem uma actuação brilhante.

A Clockwork Orange- Décor

Realizado por Stanley Kubrick, Laranja Mecânica data o ano de 1971 e tem dos meus décores favoritos, talvez pela admiração que tenho da estética Space Age. Embora não sejamos enquadrados num espaço temporal definido, ao longo do filme, tudo me remete a este movimento da década de 60 do século passado.

Designer:John Barry
Directores Artísticos:Russel Hagg e Peter Shields


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