19 de novembro de 2012

Les Emotifs Anonymes

 O filme de Jean-Pierre Améris data o ano de 2010 e tem como estrelas principais Benoît Poelvoorde e Isabelle Carré. Ele é dono de uma chocolataria em falência e ela uma doceira que se candidata ao posto de chefe de vendas, por engano. O que têm em comum para além do amor ao chocolate? Os dois são "Emotivos", incapazes de controlarem as próprias emoções e donos de uma grande timidez.




Comédia leve, mas em nada preguiçosa, como tantas comédias-românticas o são... O ambiente ser em volta de uma chocolataria em falência, que necessita urgentemente de uma reviravolta miraculosa, poderia tornar o filme num lugar comum, mas são as características do casal que tornam tudo quase irreal. Os dois com problemas emocionais que os levam a agir de formas inusitadas e caricatas demais para ser real. O ambiente da chocolataria torna-se assim quase fantástico, sobretudo quando nos deparamos com cenas musicais ou de degustação de inspiradoras iguarias. O cariz naive  desta obra enternece quem vê se estiver em disposição para tal, mas enjoa aqueles mais cépticos em relação a utópicos contos de fadas.




Destaco o guarda-roupa, que valoriza o classicismo parisiense,  embora com um twist que confere às personagens gosto individual e modernidade. Com um casal tão apegado às emoções dever-se-ia fazer exactamente isto: brincar com detalhes do guarda-roupa para dar vida a looks tão predefinidos.







Los Abrazos Rotos

 Destaco mais uma película de Pedro Almodóver, desta feita, Los Abrazos Rotos, de 2009, com a musa do realizador, Penélope Cruz no papel principal, como Lena.


Lena é uma comum secretária quando se vê pressionada para ajudar financeiramente o pai à beira da morte e a mãe- Ángela Molina, mudando-se para casa do patrão, Ernesto Martel- José Luis Gómez- e vivendo faustosamente. Os dias de socialite começam a causar-lhe fastio e volta à conquista do antigo sonho de se tornar actriz. Assim conhece Mateo-Lluís Homar, um realizador que rapidamente se apaixona perdidamente. Ernesto torna-se produtor do filme e responsabiliza o filho-Rubén Ochandiano- a filmar todo o desenrolar de bastidores, para assim poder controlar Lena.






Vemos o filme da perspectiva de Mateo que narra a sua história a Diego- Tamar Novas, seu assistente e filho da amiga e colega de trabalho Judit- Branca Portillo. A acção passa-se em modo thriller, sem a leveza de espírito dos antigos filmes de Almodóvar; embora se trate de um suspense quase perceptível a um espectador minimamente atento...

As personagens estão sempre presentes no passado e presente nos quais a trama se desenrola, envolvendo-se substancialmente na história. Ou seja, Almodóvar não cria personagens desnecessários apenas para "encher" o ecrã, cria um núcleo coeso em que cada uma desempenha parte activa do enredo. (Tirando uma ou outra cena algo desnecessárias passadas na discoteca onde Diego trabalha...)



Gosto de Almodóvar pela sensação de alegria triste que transmite nos seus filmes, uma melancolia de cores garridas, de cheiros quentes e diálogos crus, como se todos os comuns mortais tivessem ganas de falar abertamente de tudo com os seus próximos, de se despirem de alma e revelarem claramente os seus intentos, desejos, preocupações. 

Um dos planos mais inspiradores do filme


 A mim o realizador nunca desilude, sendo que por norma vejo filmes dele "salteados" e não cronologicamente.  Neste tipo de acompanhamento do trabalho de um autor pode-se verificar mais facilmente características em comum entre filmes. É o caso do Gaspacho, elaborado com amor/ódio para uma personagem que dá pelo nome de Ivan (no caso de Los Abrazos Rotos este é fictício), e minado com soníferos. Mas nem em LAR, nem em Mujeres al Borde de Un Ataque de Nervios, estas características são fundamentais para o enredo. São mais como especiarias que dão o aroma certo às belíssimas imagens do espanhol.

Lena no set de gravações, preparando o gaspacho



Imagens de Mujeres al Borde de Un Ataque de Nervios