2 de março de 2016

Room



Tal como Gone Girl no ano passado, Room é o meu eleito dos Oscars 2016. Tem boa história, também baseada num livro e excelentes interpretações. Tal como aconteceu a Rosamund Pike, Brie Larson recebeu a estatueta de melhor actriz, vencendo a sempre brilhante Cate Blanchett e a carismática Jennifer Lawrence. Neste momento é a namorada da América (taco a taco com Alicia Vikander, também vencedora enquanto actriz secundária) e em termos de popularidade começa a ultrapassar J-Law. Esperamos vê-las juntas no projecto escrito por Jennifer e Amy Schumer!

Mas agora vamos ao filme!
O público em geral adora histórias de sociopatas, prova disso é o êxito de Making a Murderer. Normalmente a indústria foca-se muito no sujeito que rapta, tortura e mata, nas suas acções para com as vítimas e pouco na vida destas após o abuso. A obra de Lenny Abrahamson inova aqui, alterando as directrizes mais comuns deste género de narrativa. Mostra-nos uma mãe dedicada e criativa (Brie Larson) e um filho curioso e inteligente. Mostra-nos a sua habitação de dez metros quadrados, que é o mundo do Jack (Jacob Tremblay), com vista muito limitada para o universo.
- Spoilers -

O início para nos não é o inicio de Joy no quarto, mas sim o fim dos seus dias de confinamento. Passaram-se sete anos desde que foi raptada e tem um filho, Jack, com cinco. O meio é a estratégia de fuga e o confronto com a vida real. O fim é a adaptação de mãe e filho com o mundo e o corte com a habituação à vida no quarto. Durante todo o processo familiar, no quarto, que observamos é indiscutível a força maternal num dia-a-dia propício à depressão, esgotamento e loucura. O ponto de ruptura para Joy é exactamente quando está em liberdade, na adaptação ao que já conhecia.

Na minha opinião Tremblay deveria ter sido nomeado para o Oscar, tal como aconteceu com Quvenzhané Wallis no filme Beasts of the Southern Wild em 2012. Dono de uma interpretação realmente bonita tinha 9 anos quando interpretou Jack, de 5. O realizador disse numa entrevista que para além das suas semelhanças com Brie foi a certeza de que conseguiria viver um menino bem mais novo que o fez escolhê-lo. Eu quero vê-lo crescer e quiçá tornar-se um Leonardo DiCaprio ou uma Saoirse Ronan (também nomeada para melhor actriz este ano).

Óptimos desempenhos aliados a uma história comovente e que tem as pitadas q.b. de drama, thriller e comédia. Room brilha por, infelizmente, ser uma realidade obscura e pouco documentada em ficção, por mostrar um exemplo de força e motivação a todos aqueles que passam por situações traumáticas.

P.S. - Se gostaram ou têm interesse neste filme é obrigatório ver também The Lovely Bones, com a Saoirse e La Vita è Bella. Diferentes no estilo mas com temas semelhantes.

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