29 de setembro de 2016

Por Onde Tenho Andado


Tal como o tráfico de droga fez Escobar esconder-se, o meu trabalho tem-me afastado das salas de Cinema e, consequentemente, do blog. Falo do maior narcotraficante da história pois deixei-me agarrar por Narcos, a série do momento. Tudo o que se torna viral, principalmente entre amigos e conhecidos, muito diferentes uns dos outros, cria uma curiosidade à qual não consigo resistir, mesmo que demore a admiti-lo. Depois de ir vendo de soslaio posts, artigos, fotos de Instagram e ir ouvindo, meio desinteressada, resumos dos episódios protagonizados por Wagner Moura, resolvi iniciar a maratona. A segunda season saiu e foi aí que comecei a primeira.

Eu, que não me importo nada com spoilers, resisti à tentação de ler sobre a continuação de uma história que está para lá de desvendada. Todos fazemíamos ideia de como terminaria a produção Netflix e mesmo assim deixámo-nos viciar em cada episódio, sob os comandos da voz de Murphy (Boyd Holbrook), um agente DEA - Drug Enforcement Administration. É ele o narrador e o ponto de partida desta caça ao homem. Na primeira temporada vemo-lo lado a lado com Peña (Pedro Pascal) durante quinze anos e a seguinte retrata apenas um. Foi desta forma que serviram a  vida de Pablo Escobar, dando-nos 10 episódios de sucessivos acontecimentos e entra-sai de personagens (quem se queixa da quantidade de mortes em Game of Thrones prepare-se). Os últimos 10, lançados este mês, focam-se no enfraquecimento do mais poderoso traficante do mundo. Os massacres ao longo de 20 horas são constantes e a ficção entrosa com a realidade de uma forma assustadora. Os banhos de sangue, as explosões, a violência, o terror, existiram mesmo e marcaram para sempre um país e a história da sociedade ocidental. Mesmo que os criadores e guionistas não tenham sido totalmente fiéis a todos os factos do passado, como acusa o filho de Escobar, Sebastián Marroquín, o que nos mostram já é denso e perturbador o suficiente. São todos os detalhes sórdidos, todo o jogo de poder, entre os cartéis, com o estado, com a polícia que fascinam o espectador e se sobrepõem à recriação de eventos não fictícios. É o encadeamento das cenas, o cuidado estético em reproduzir os anos 70, 80, 90, é o evoluir psicológico dos personagens... E as mudanças físicas no protagonista, caracterizado de forma a vermos o tempo por ele passar.


Pablo é magistralmente interpretado por Wagner, com um percurso, principalmente, conhecido por novelas e pelos filmes Tropa de Elite. A sua energia é um íman em cena, tal como Escobar deveria ser em pessoa, alguém que captava empatia facilmente, um líder. As oscilações de humor perante cada momento e a lida diferente com as variadas personagens deixam transparecer dois homens, o personificado e o que lhe dá corpo e voz. Sentimos mais vezes familiaridade e compreensão em relação ao vilão do que perante membros do estado, da polícia ou civis inocentes. Sem que nada nos avisasse passamos a fazer parte da equipa Pablo Escobar episódio sim, episódio não. Esta manipulação de mestres é em parte obra de toda a equipa mas grande culpa do talentoso actor brasileiro, cujo desempenho valeu uma nomeação ao Emmy de Melhor Actor, que infelizmente não levou para casa. 

Ontem vi o último episódio e hoje é dia de mergulhar mais a fundo na realidade de um passado não muito longínquo. Não vejo grande interesse nas já prometidas temporada 3 e 4 por isso sucumbo à vontade de pesquisar o que aconteceu à família Escobar e ao Cartel Cali.


Nos últimos tempos também andei pela Rua de Baixo a felicitar De Niro e Scorsese pelo septuagésimo aniversário de Taxi Driver. Falei do divertido Neighbors II e fiz um resumo da carreira de Nicole Kidman. Passem por lá :)

Sem comentários:

Enviar um comentário